sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Anatomia, biomecânica, cinesiologia... Quem??? Muito prazer, eu danço!!



    Existem no momento vários cursos que ensinam professoras e bailarinas anatomia, biomecânica, cinesiologia... e outros assuntos que estudam profundamente o funcionamento do corpo. Mas pra que saber tudo isso????  Nós queremos é dançar!!!
Porém, diante da realidade desses cursos, a gente precisa saber o porquê de aprender tudo isso... e para maior aproveitamento, como aprender tudo isso??
A anatomia estuda cada estrutura e componente do nosso corpo. Tudinho que está pra dentro da pele. O que de fato como bailarinas precisamos saber?
Todos os ossos, músculos, tendões, ligamentos. Num estudo um pouco mais profundo... as fáscias, sentido das fibras musculares, tipos de fibras. Por que?  Primeiro para saber com que estamos mexendo, e depois para conseguirmos entender como é que funciona o movimento!!!

Biomecânica é o estudo da mecânica do corpo.. ahn??? Produção de força muscular, qual a pontência da musculatura, qual é o tipo de contração, sistema de alavancas ósseas para produção do movimento. "O estudo da estrutura e da função dos sistemas biológicos utilizando métodos da mecânica." (HALL, 1993).


Cinesiologia cinesio= movimento; logia = estudo, é o estudo do movimento, como ele acontece quais componentes envolvidos no movimento, e o principal é a qualidade do movimento.
Esses estudos estão correlacionados, impossível fazer a análise de um movimento sem o conhecimento de biomecânica e anatomia.


Descrição das Linhas de pesquisa desenvolvidas no laboratório de Biomecânica da Escola de
Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.

Linha
Descrição
Biomecânica do Esporte
Interpretação do movimento esportivo, diagnóstico técnico do rendimento e demais
funções determinantes da eficiência de movimento. Dedica-se ainda ao estudo de
parâmetros funcionais determinantes do rendimento com dependência tecnológica
do sistema Pé-calçado-solo.
Biomecânica da
Locomoção
Análise de funções determinantes e características da estrutura descritiva da
locomoção humana segundo indicadores da Biomecânica externa e Biomecânica
interna através de complexa análise metodológica e com aplicações nas áreas da
Reabilitação, Ergonomia e do Desenvolvimento relativo aos padrões de normalidade.
Biomecânica do Controle
Postural
A análise descritiva do movimento baseia-se nos indicadores cinemáticos obtidos a
partir da cinemetria, caracterizada pelo procedimento técnico de análise. Apoia-se no
estudo e desenvolvimento de modelos óptico-fotogramétricos e modelos matemáticos
aplicados ao estudo do controle postural em tarefas de equilíbrio e regulação
dinâmica do movimento.
Forças Internas e
Modelagem Biomecânica
Caracteriza-se pela quantificação dos fatores dinâmicos do movimento humano. A
partir de variáveis da força reação do solo sincronizadas como a determinação de
coordenadas de pontos anatômicos de referência, determina-se a partir de modelos
matemáticos e por funções da dinâmica inversa a determinação de forças e momentos
intersegmentares aplicados ao controle e à simulação do movimento.
Instrumentação aplicada à
Biomecânica
Desenvolvimento de sistemas e produtos adaptados às funções Biomecânicas segundo
metodologia para análise do movimento considerando-se a adequação à realidade
tecnológica em desenvolvimento e do Domínio metodológico para uma ciência
interdisciplinar de natureza aplicada.

AMADIO, A.C. & SERRÃO, J.C.Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, v.18, p.45-54, ago. 2004. N.esp. . 51


Após este resumo conceitual, vamos entender a importância de uma bailarina conhecer estes conceitos básicos sobre o corpo e sobre o movimento. Essas informações podem proporcionar uma consciência corporal muito mais profunda, pois dá recursos concretos para esta ciência, sendo esta uma grande aliada na prevenção de lesões. Além de favorecer na qualidade da técnica e melhorar o rendimento e diminuir os esforços excessivos na execução do movimento.


Quando esses conceitos estão direcionados e são aplicados diretamente a prática esportiva ou ao estilo específico da dança, o dançarino ou atleta é muito beneficiado, principalmente os professores, pois a execução do movimento fica mais clara e objetiva.
Quando um aluno tem um problema na execução do movimento, podemos avaliar qual é a sua real dificuldade, pode ser um encurtamento, ou falta de força em alguma musculatura específica. E então não consegue a execução ótima do movimento.

Vou dar um destaque especial para a prevenção de lesão!!!! Os professores e bailarinos com esses conhecimentos sabem como cada articulação se movimenta, qual a participação de cada musculatura, e então podem diminuir as sobrecargas, e evitar lesões.
Porém, é importante ressaltar a controvérsia que vivemos.... buscamos superar nossos limites, mas nunca podemos esquecer de respeitar os limites do nosso corpo!!!

Este é um assunto muito extenso com várias especificidades para serem abordadas com o passar do tempo!!
Se tiverem dúvidas sobre este assunto, não hesite em perguntar!!!
Aceito sugestões de temas tb!!!
Flora Pitta




Referencias: AMADIO, A.C. & SERRÃO, J.C.Biomecânica: trajetória e consolidação de uma disciplina acadêmica Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, v.18, p.45-54, ago. 2004. N.esp. . 51
HALL, S.J.; Biomecânica Básica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1993. 
NORDIN, M.PT; FRANKEL, V.H..Biomecánica Básica Del Sistema Musculoesquelético. Ed. McGRAW HILL interamericana. Madrid, 2001.
imagem 1: Anatomia: Leonardo Da Vinci . http://www.fraternidaderosacruz.org/espiritualismo_ciencia1.htm
imagem 2: http://br.olhares.com/danca_do_ventre_foto1864085.html
imagem3: Flora Pitta por Murilo Ganesh
imagem 4: http://www.apodi.info/index.php?option=com_content&task=view&id=2184&Itemid=57
imagem 5: http://cristianearruda.wordpress.com/tag/movimento-do-corpo/
imagem 6: http://www.apodi.info/index.php?option=com_content&task=view&id=2184&Itemid=57




terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tônus Muscular X Força Muscular: O que precisamos para dançar?




“Tônus: o estado de tensão normal dos tecidos em virtude do qual as partes são mantidas em formato, alertas e fáceis de funcionar em resposta a um estímulo adequado. No caso do músculo, refere-se a um estado de atividade contínua ou tensão além daquela relacionada às propriedades físicas; i.e., é resistência ativa ao estiramento; no músculo esquelético, depende da inervação eferente”
“Força gerada pela CONTRAÇÃO MUSCULAR. A força muscular pode ser medida durante uma contração isométrica, isotônica ou isocinética, tanto manualmente como por meio de um dispositivo como o DINAMÔMETRO DE FORÇA MUSCULAR.”
Essas são as definições desses descritores utilizadas pela DeCS da BVS (biblioteca virtual em saúde).
Ou seja, o tônus é o estado natural de tensão do músculo, havendo um equilíbrio entre o hipertônus (espasticidade) e o hipotônus (flacidez), o músculo encontra-se preparado para responder a um estímulo imediatamente de acordo as suas propriedades físicas, que são contratilidade – capacidade de encurtar-se quando recebe um estímulo; irritabilidade – capacidade do músculo de responder a um estimulo elétrico; elasticidade – capacidade do músculo retornar ao seu comprimento de repouso; extensibilidade – capacidade de alongar-se além do seu comprimento de repouso.
A força muscular é a capacidade de o músculo resistir a uma carga, superando, sustentando ou cedendo à carga imposta.

Precisamos saber distinguir tônus de força muscular, pois eles não têm uma relação direta. Um músculo tenso, apesar de sua aparência estar no máximo de sua capacidade contrátil, não quer dizer que ele tem força suficiente para resistir uma carga mínima (gravidade), ou seja, um músculo tenso nem sempre é sinônimo de força, mesmo que pareça. A alteração de tônus pode gerar deformidades, as articulações ficam rígidas devido à falta de movimentação. Quando o tônus está alterado para mais, a força gerada para manter o padrão de movimento é muito alta.
            A adequação do tônus, desde que este desequilíbrio não seja de origem patológica, pode ser feita através da consciência corporal, e exercícios de fortalecimento para a região. Só usamos o termo de hipertonia ou espasmo para aumento de tônus que são de origem patológica (Paralisia Cerebral, Doença Vascular Encefálica (derrame), tumor, etc.).
            O aumento do tônus muscular de origem não patológica é gerado por tensão excessiva na região, esse músculo está hiper ativado e pode gerar fadiga, dor, alteração da resposta sensória motora, devido ao desequilíbrio muscular causado.
Quando um músculo está fadigado, ou quando alguma região tem um déficit sensório motor outros músculos que compõem a sua cadeia (que tem funções similares) são requisitados em excesso, podendo sobrecarregar os mesmos gerando lesões musculares. Isso é muito comum na região cervical, cintura escapular. Quando o músculo trapézio está hiper ativado, pode até causar cefaléias.
A diminuição do tônus, hipotonia ou flacidez também é de origem patológica (a mais conhecida é Síndrome de Down). Quando percebemos uma pessoa com alguma alteração postural, normalmente ombros protrusos, aquele abdômen abandonado, é um padrão de hipoativação muscular, onde também encontramos um tônus diminuído, porém num grau mais leve de um paciente neurológico.
Essa hipoativação  também gera sobrecarga em músculos adjacentes. Isso é muito comum na região do abdômen, bailarinas de dança do ventre pode possuir a porção inferior do reto abdominal mais fraco e/ou com um tônus menor que os outros músculos que compõem a parede abdominal, somado a movimentação excessiva da região, os músculos da lombar acabam sendo sobrecarregados gerando dores no local. Para identificar se isso acontece com você, é só lembrar-se daquela posição de abandono do abdômen, ou uma lordose aumentada.
Existem outros fatores para dores na lombar, mas falaremos disso depois.
O que precisamos perceber é que quando dançamos o corpo todo deve estar com o tônus equilibrado. Muitas vezes quando estamos começando o aprendizado, são tantas informações diferentes, que esquecemos algumas partes do corpo. O braço todo deve permanecer vivo, com energia... Minhas professoras na faculdade de dança costumavam falar para imaginarmos que cada ponta de dedo tem uma luz, e essa luz não pode apagar, desenhamos com ela através dos movimentos. Porém, se perdemos a energia das mãos, ou dos braços porque estamos movimentando mais as pernas... Essa luz deixará de existir, o que não pode!!! Está ai uma sugestão de exercício.
Não podemos esquecer, o valor estético também resulta dessa distribuição de energia. Se esquecermos alguma parte do nosso corpo, é como se faltasse alguma coisa, como se tivesse alguma coisa do conjunto errado. Como se fosse uma coreografia de grupo, todos devem estar em harmonia.



Qualquer dúvida estou a disposição!!! Feliz dia dos fisioterapeutas!!!!




Referências: NORDIN, M; FRANKEL, VH. Biomecánica Básica del  Sistema Musculoesquelético. 3ª.Ed. Madrid:McGraw-Hill/Interameticana de España, S.A.U., 2001.428 p. MARRERO, RCM; CUNILLERA, MP. Biomecánica Clínica del Aparato Locomotor. Barcelona: Masson, S.A.1998. 321p. GUYTON, AC;HALL, JE. Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças. 6ª. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.1998. 628 p. KAPANDJI, AI. Fisiologia Articular vol.3. 5ªEd. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2001. 280 p. DANGELO, JG; FATTINI, CA. Anatomia Humana Básica. 2ª.ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2002. 184 p. HERZOG, W.  The biomechanics of muscle contraction: optimizing Sport performance. SportOrthoTrauma 25, 286–293(2009). http://www.bireme.br/ acessado 12/10/2010.

domingo, 26 de setembro de 2010

Festa 17 anos Simone Galassi

Não posso deixar de fazer um post pra essa festa!!!
Foi sensacional.... Sinto dizer, mas quem não foi perdeu o melhor evento do ano!!!!
Foi uma delicia dançar, assistir, e ferver na baladinha que rolou depois do show!!!!
Parabéns à Simone e Acacio pela organização!!
Si, vc arrasa, tem um talento que ninguém tem!!!!
Amiga amo você!!!! E ainda tem muito sucesso pela frente!!!
To louca pelo Brasil Fashion Dance 2011!!!!!!!!!

Meu grupo se apresentou também na festa...
Meninasssss.... Obrigada por tudo!!!!
Foi lindo!!!

Achei um vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=TKHAcX_r4-I

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Entendendo o Corpo da Bailarina

Para gente falar de dança, precisamos perceber que a dança além de toda a magia e arte também é considerada um esporte, pelo menos pelos olhos da saúde. Então é necessário que a gente encare uma bailarina profissional como uma atleta de elite (daquelas que vão para as olimpíadas) e uma amadora como um atleta amador, e uma pessoa que pratica a dança por hobby (1 vez na semana e olhe lá), podemos enxergá-la como aquele futebolzinho com os amigos de final de semana, sabe?

Assim é didaticamente mais fácil para entendermos algumas coisas.

Toda atividade física requer habilidades, cada uma com suas especificidades, então se desenvolve a capacidade física de cada atleta, para se chegar ao máximo do rendimento que esse atleta pode chegar.

A capacidade física deve ser trabalhada de acordo com a atividade praticada. Ou seja, com um maratonista deve ser feito um trabalho de resistência, um levantador de peso precisa de força. Quando este treinamento é realizado de forma desorganizada e inadequada, não há ganho no desenvolvimento da técnica e de execução o que compromete o potencial e desanima o bailarino.

Deve-se analisar os principais fundamentos técnicos da dança que envolvem a força, potência, flexibilidade, coordenação, equilíbrio, agilidade, resistência muscular e cardiovascular, entre outros.Sem esses não é possível ter êxito na prática da dança (Me aprofundarei nesses temas).
Qualquer dúvida estou à disposição.





Referências:

PRATI, S R A; PRATI, A R C. Níveis de aptidão física e análise de tendências posturais em bailarinas clássicas . Rev. Bras.Cineantropom. Desempenho Hum. 2006;8(1):80-87. FUENTE, E. R, et al. Danza Professional: Una revisión desde la salud laboral. Rev Esp Salud Pública 2009, Vol. 83, N.° 4. CAPRI, Fabíola Schiebelbein; FINCK, Sílvia Christina Madrid. A dança no contexto da educação física: Uma análise da prática de ensino de professores e de acadêmicos no processo de formação docente. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital.Buenos Aires. Ano 13.Nº 128.Janeiro de 2009

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Começando e aprendendo

Para iniciar o blog fiquei dias pensando se de fato faria ou não e os porquês de se fazer ou não...

Sempre achei importante compartilhar informações, ainda num segmento com uma bibliografia tão escassa e de confiabilidade duvidosa!!! E então por que não???
Durante a minha formação como bailarina, sempre tive professores que me mostraram o quanto é importante compartilhar esses conhecimentos.
A minha experiência como professora me fez perceber o quanto o corpo é delicado, dependendo da forma que o movimento é executado ele pode ser prejudicado e se machucar...
Nós sabemos que a dança do ventre não tem codificação dos passos, e nem um método a ser seguido para formar bailarinas. O que informaliza ainda mais a técnica e presdispõe a uma má preparação de seus profissionais.
Após o buuum da dança do ventre (fenômeno da novela " O Clone"), muitas pessoas se interessaram pela dança, e iniciaram seus estudos. Puderam perceber que era também uma oportunidade de ganhar dinheiro... Pois a procura era muito maior do que o mercado podia oferecer. Muitas meninas se tornaram professoras, a meu ver de forma irresponsável, pois com 3, 4 meses de estudo já estavam lecionando... Complicado isso, hein?
Tenho para mim que o aprendizado da dança do ventre pode ser comparado ao mesmo processo do inicio da marcha. Quando começamos a andar, passamos por um processo de desenvolvimento motor que demora cerca de um ano. Passamos pelas fases de controle de cervical, controle de tronco (sentar), rolar, engatinhar, ficar de pé, andar com apoio, andar sem apoio.
O aprendizado da dança também é um processo de desenvolvimento motor, porém um processo mais demorado, pois iniciamos o aprendizado da dança após termos vários vícios de posturas, hiper ou hipomobilidades, fraquezas, musculaturas hiper ou hipo ativadas.
Além do tempo de prática, uma criança é em tempo integral estimulada... Nós, quanto tempo dispomos do nosso dia para a prática da dança???
Não adianta encarar como frustração não conseguir realizar hoje um movimento, nosso corpo precisa integrar a informação e assim realizar com perfeição. Principalmente quando não realizamos o movimento igual ao da professora, que pratica dança há anos.
 Falarei melhor disso mais tarde