terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tônus Muscular X Força Muscular: O que precisamos para dançar?




“Tônus: o estado de tensão normal dos tecidos em virtude do qual as partes são mantidas em formato, alertas e fáceis de funcionar em resposta a um estímulo adequado. No caso do músculo, refere-se a um estado de atividade contínua ou tensão além daquela relacionada às propriedades físicas; i.e., é resistência ativa ao estiramento; no músculo esquelético, depende da inervação eferente”
“Força gerada pela CONTRAÇÃO MUSCULAR. A força muscular pode ser medida durante uma contração isométrica, isotônica ou isocinética, tanto manualmente como por meio de um dispositivo como o DINAMÔMETRO DE FORÇA MUSCULAR.”
Essas são as definições desses descritores utilizadas pela DeCS da BVS (biblioteca virtual em saúde).
Ou seja, o tônus é o estado natural de tensão do músculo, havendo um equilíbrio entre o hipertônus (espasticidade) e o hipotônus (flacidez), o músculo encontra-se preparado para responder a um estímulo imediatamente de acordo as suas propriedades físicas, que são contratilidade – capacidade de encurtar-se quando recebe um estímulo; irritabilidade – capacidade do músculo de responder a um estimulo elétrico; elasticidade – capacidade do músculo retornar ao seu comprimento de repouso; extensibilidade – capacidade de alongar-se além do seu comprimento de repouso.
A força muscular é a capacidade de o músculo resistir a uma carga, superando, sustentando ou cedendo à carga imposta.

Precisamos saber distinguir tônus de força muscular, pois eles não têm uma relação direta. Um músculo tenso, apesar de sua aparência estar no máximo de sua capacidade contrátil, não quer dizer que ele tem força suficiente para resistir uma carga mínima (gravidade), ou seja, um músculo tenso nem sempre é sinônimo de força, mesmo que pareça. A alteração de tônus pode gerar deformidades, as articulações ficam rígidas devido à falta de movimentação. Quando o tônus está alterado para mais, a força gerada para manter o padrão de movimento é muito alta.
            A adequação do tônus, desde que este desequilíbrio não seja de origem patológica, pode ser feita através da consciência corporal, e exercícios de fortalecimento para a região. Só usamos o termo de hipertonia ou espasmo para aumento de tônus que são de origem patológica (Paralisia Cerebral, Doença Vascular Encefálica (derrame), tumor, etc.).
            O aumento do tônus muscular de origem não patológica é gerado por tensão excessiva na região, esse músculo está hiper ativado e pode gerar fadiga, dor, alteração da resposta sensória motora, devido ao desequilíbrio muscular causado.
Quando um músculo está fadigado, ou quando alguma região tem um déficit sensório motor outros músculos que compõem a sua cadeia (que tem funções similares) são requisitados em excesso, podendo sobrecarregar os mesmos gerando lesões musculares. Isso é muito comum na região cervical, cintura escapular. Quando o músculo trapézio está hiper ativado, pode até causar cefaléias.
A diminuição do tônus, hipotonia ou flacidez também é de origem patológica (a mais conhecida é Síndrome de Down). Quando percebemos uma pessoa com alguma alteração postural, normalmente ombros protrusos, aquele abdômen abandonado, é um padrão de hipoativação muscular, onde também encontramos um tônus diminuído, porém num grau mais leve de um paciente neurológico.
Essa hipoativação  também gera sobrecarga em músculos adjacentes. Isso é muito comum na região do abdômen, bailarinas de dança do ventre pode possuir a porção inferior do reto abdominal mais fraco e/ou com um tônus menor que os outros músculos que compõem a parede abdominal, somado a movimentação excessiva da região, os músculos da lombar acabam sendo sobrecarregados gerando dores no local. Para identificar se isso acontece com você, é só lembrar-se daquela posição de abandono do abdômen, ou uma lordose aumentada.
Existem outros fatores para dores na lombar, mas falaremos disso depois.
O que precisamos perceber é que quando dançamos o corpo todo deve estar com o tônus equilibrado. Muitas vezes quando estamos começando o aprendizado, são tantas informações diferentes, que esquecemos algumas partes do corpo. O braço todo deve permanecer vivo, com energia... Minhas professoras na faculdade de dança costumavam falar para imaginarmos que cada ponta de dedo tem uma luz, e essa luz não pode apagar, desenhamos com ela através dos movimentos. Porém, se perdemos a energia das mãos, ou dos braços porque estamos movimentando mais as pernas... Essa luz deixará de existir, o que não pode!!! Está ai uma sugestão de exercício.
Não podemos esquecer, o valor estético também resulta dessa distribuição de energia. Se esquecermos alguma parte do nosso corpo, é como se faltasse alguma coisa, como se tivesse alguma coisa do conjunto errado. Como se fosse uma coreografia de grupo, todos devem estar em harmonia.



Qualquer dúvida estou a disposição!!! Feliz dia dos fisioterapeutas!!!!




Referências: NORDIN, M; FRANKEL, VH. Biomecánica Básica del  Sistema Musculoesquelético. 3ª.Ed. Madrid:McGraw-Hill/Interameticana de España, S.A.U., 2001.428 p. MARRERO, RCM; CUNILLERA, MP. Biomecánica Clínica del Aparato Locomotor. Barcelona: Masson, S.A.1998. 321p. GUYTON, AC;HALL, JE. Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças. 6ª. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.1998. 628 p. KAPANDJI, AI. Fisiologia Articular vol.3. 5ªEd. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2001. 280 p. DANGELO, JG; FATTINI, CA. Anatomia Humana Básica. 2ª.ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2002. 184 p. HERZOG, W.  The biomechanics of muscle contraction: optimizing Sport performance. SportOrthoTrauma 25, 286–293(2009). http://www.bireme.br/ acessado 12/10/2010.

2 comentários:

  1. oi, fofa! vim visitar o seu blog, muito bom por sinal. abraço, Barbara

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  2. Eeee, Ba!!! Que bom que gostou!!! Visite sempre!!!
    Obrigada!!
    bjs

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