sábado, 30 de julho de 2011

Coreografia - Mosaico




A história da coreografia da Cia. Flora Pitta é a seguinte:



Era outono, me lembro muito bem o dia em que meus pais ficaram doentes, eu tinha 5 anos. A peste se alastrava em todo Japão, em Shizuoka ninguém sabia o que estava acontecendo. As pessoas morriam em dias. De repente o exército invadiu a cidade trazendo medicamentos e cuidados aos doentes, mas já era tarde demais, meus pais não conseguiam mais levantar da cama. Minha irmã mais velha cuidava deles e de mim, passava o dia todo no quarto tentando controlar a febre que não cedia a custo algum.
Passaram 5 dias, o dinheiro que tínhamos acabou junto com a comida. Dois dias após, a doença e a fome foram mais fortes que as vidas dos meus pais.
Minha irmã não sabia como cuidar de mim e me vendeu a uma fazenda produtora de arroz. Permaneci lá até os meus 16 anos, quando me venderam para uma casa em Osaka onde só viviam mulheres belíssimas. Eu nunca em minha vida pude imaginar que as mulheres pudessem ter cor, eu só via mulheres em tons pastéis. Elas se enfeitavam, tinham um cheiro diferente, doce, suave...
Sakura era a mais bela, ela deslizava pelo chão, parecia doce como uma flor. Todos eram enfeitiçados por sua beleza, Mas seu olhar me assustava. Eu tinha medo só de pensar nela olhando para mim. Como podia uma mulher tão bela e tão assustadora. Mas era nítido o quanto todos a pageavam.
Midori era a mais velha, estava sempre de nariz torcido, ela também era bem bonita. Acho que ela era a única que não cedia aos encantos de Sakura. Fazia questão de estar sempre mais distante.
Patrícia, pouco mais velha que eu era a mais legal, quando ela estava longe das outras mulheres ela até conversava comigo. Mas quando alguém se aproximava, ela tratava logo de me dar uma ordem.
Eu ainda não sabia que a casa que eu agora morava era uma okiya e nem o que isso significava, quanto mais as mulheres que estavam lá eram gueixas, fui entendendo aos poucos, quando de noite elas se montavam mais belas do que podiam ser e saiam as risadas para uma noite de diversão e prazer.
Sempre que voltavam estavam alteradas, e sempre sempre me maltratavam. Eu odiava quando eu tinha que recebê-las na porta, era o momento que eu mais apanhava, parecia que elas faziam questão de me humilhar. Obviamente Sakura era a pior. Ainda mais agora, ouvi as empregadas dizendo que ela estava saindo com um homem muito poderoso de Tokyo, ela tava poderosa demais, achava que ele ia propor para sustentá-la.
Teve um dia que elas saíram cedo, ainda não havia escurecido. E quando eu fui acompanhá-las até a porta elas me maltrataram tanto que fiquei no chão chorando, não tinha forças para levantar. De repente, veio um homem muito bonito e muito elegante me acolher. Eu jamais imaginei que no mundo alguém poderia olhar pra mim, principalmente ali, jogada na esquina chorando.
Ele não poderia ser mais carinhoso, acolheu-me, me confortou e me mostrou que no mundo ainda existiam pessoas boas, quando ele se despediu, olhou no fundo dos meus olhos, olhou bem onde estávamos e não disse sequer uma palavra.... Será que nunca mais eu irei vê-lo??
Como eu poderia viver dali em diante sem nem saber o nome deste sublime homem??? Como eu queria sentir suas mãos no meu rosto novamente... eu faria qualquer coisa.


Mas como ?? Eu sendo uma pobre empregada??? Talvez se ele fosse cliente de uma das meninas... Mas não!!! Eu queria que ele fosse meu cliente!! Eu queria servi-lo, entretê-lo, eu queria que ele fosse meu!!! Essa esperança de vê-lo novamente era o que mais me dava forças para voltar para o inferno da minha vida. Nossa, como eu queria ser como elas, como eu queria me tornar uma gueixa para poder sair e procurá-lo.
De certo que ele deve ser alguém muito importante, eu nunca vi um homem tão bem vestido com mãos tão macias como a dele.
Algo aconteceu, de repente todas as gueixas passaram a me tratar muito bem, elas começaram a me ensinar tudo o que sabiam de dança, de servir, comportamento, tudo.
Eu estava então me tornando como elas..... Será que ele vai me ver assim???
No dia que eu me tornei uma gueixa de verdade, ele me encontrou!!!! E então nos amamos como eu nunca imaginei que existisse um amor, decidimos ficar juntos pela eternidade.
No brinde da nossa união, me senti sufocada, o ar não passava pelos meus pulmões, eu tentava puxar o ar incessantemente, e nada acontecia... fui ficando mole, perdendo o controle do meu corpo, minha visão, tudo foi ficando escuro e a única imagem que eu tenho são da profundidade de seus olhos apaixonados para mim.
Hoje, eu sei. O Poderoso homem que a Sakura estava entretendo era ele, o Yucatana. O grande amor da minha vida. No dia do meu casamento, ela não suportou o fato de existir um amor tão grande que ela jamais viverá.
 Então, ela envenenou minha bebida, e o momento mais feliz da minha vida!!!!






Elenco: Flora Pitta, Faell Rabelo, Paula Trigueiro, Lia Takata e Yuko Okayama

domingo, 12 de junho de 2011

Festival Mosaico





O objetivo dessa aula é promover o conhecimento das movimentações por meio de um conhecimento teórico-prático sobre anatomia e biomecânica.  E com exercícios estimular a consciência corporal para potencializar os movimentos.

QUADRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIILLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

Perdoem a minha demora, mas é que eu levo muito tempo para  escrever um post, vocês já devem ter percebido que eu faço uma pesquisa antes de escrever... Eu estava e ainda estou preparando um post sobre linhas, eixos e planos... ele será o próximo post!!!
Mas não posso deixar de comentar algo que me ocorreu, precisei interromper o outro para falar isso!!!!
Meu foco de estudo nesses últimos anos foi exatamente os assuntos que eu trato no blog, prevenção de lesão, potencialização de movimentos, biomecânica, anatomia....
Mas eu não posso abandonar o fato que sou bailarina também.... E também preciso estudar o MEU corpo!!!!
Acho lindo bailarinas que possuem repertório clássico, linhas, braços, alongamento, poses, giros elaborados, com nível de dificuldade alto... Eu estudei ballet, contemporâneo, algumas danças de salão, flamenco... Todas as danças se somam...
É tudo na vida... LINDOOOO!!!!
Mas, de que dança estamos falando mesmo??????
Dança do Ventre, Racks el Sharq, Dança Oriental, como quiserem chamar....

Cadê o quadril????????
Movimentos elaborados, técnica em redondos...
Tremidos rebuscados com outros movimentos associados
Agilidade no quadril....
Ondulações tranquilas, bem feitas com começo e final....
e por incrível que pareça... cadê o básico egípcio? O mais SIMPRINHO... aquele lá que sobe, desce, sobe e chuta... sabe???

Não podemos deixar a essência da dança se perder!!!!
A responsabilidade é toda nossa!!!
Natural que a gente passe por fases de estudo, crise e que tudo isso interfere diretamente na nossa dança, mas precisamos saber quando e como devemos usar os elementos e os repertórios que são propostos durante uma música...
Não pode fazer arabesque e grandes deslocamentos durante um taksim por exemplo..... Redondos, oitos, ondulações, por favor!!!

Meninas, não vamos deixar a essência se perder!!!!
Escolhemos essa dança por algum motivo, lembrem-se dele ou deles... e revejam os seus conceitos!!!!
E reestudem as bailarinas antigas... olha que delicia!!!





Beijossss

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Giro, chainé, giro, pirueta..... tour en l'air


Giro... Como se descrever um giro??

Troca de peso entre uma perna e outra mudando a direções??? Um pequeno tour em volta do eixo???

E ai??? 

Técnicas para melhorar o giro, bater cabeça, pensar no braço, encaixa o quadril....................................



Vamos por partes, como sempre!!!

Vamos pensar que viramos nosso corpo em volta do nosso próprio eixo. Eixo este que desenha uma linha vertical em nosso corpo.

Eixo, uma palavra que tanto usamos e pouco sabemos...
Antes de falar do giro vamos entender os planos e os eixos.


Plano Sagital: corte ântero – posterior. Eixo Sagital: divisão em lado direito e esquerdo

Plano Horizontal, transverso ou axial: corte superior e inferior, Eixo transversal: divisão caudal e cranial.

Plano Frontal ou coronal: corte latero-lateral. Eixo frontal: divisão em anterior e posterior.

Revisados os planos e eixos, pensaremos num encontro entre os eixos sagital e frontal. Pensando nessa linha vertical, bem no centro do corpo. Esta linha remete a nossa referência para o giro. 

Tendo uma referência, tudo fica mais simples... Então para girar podemos fazer uma transferência de peso de uma perna para outra num sentido rotacional, ou então com um impulso giramos em cima de uma única perna, porém de qualquer forma acontece a transferência de peso, pois o impulso vem da perna que não estará realizando o giro.

Pensando assim tudo fica simples, porém para realizar o giro existe uma lista de complicações que tentaremos amenizar melhorando a técnica pensando na biomecânica do movimento.

Tontura
Direcionamento do giro
Desequilíbrio
Postura
Braços
Agilidade

Tontura – Quando pensamos em giro, logo vem àquela sensação de tontura, vertigem, às vezes até náuseas. Se pensarmos que tudo isso acontece devido a uma desorganização do sistema vestibular, pensamos que podemos resolver o problema de forma mais efetiva agindo na causa!!
Conhecendo um pouco do sistema vestibular:
O aparelho vestibular localiza-se no ouvido interno, composto por um sistema de tubos e câmaras ósseas chamado de vestíbulo membranoso. É composto pela cóclea, três canais semicirculares e duas câmaras conhecidas como sáculo e utrículo.

Os receptores contidos no sistema vestibular são muito sensíveis e detectam qualquer alteração da posição da cabeça ou da direção do movimento. A movimentação da cabeça excita-os, e a partir disso, são enviados impulsos nervosos ao SNC. Portanto, o aparelho vestibular é controlado pelos movimentos da cabeça e dos olhos (principalmente em relação à orientação do espaço) durante a realização de exercícios, mantendo o equilíbrio e permitindo o controle visual durante o movimento.
Quando há uma assimetria ou um distúrbio no aparelho vestibular, seja pela estimulação excessiva ou pela hipoestimulação, leva a vertigem, nistagmo e reflexo vagal.
Funções do labirinto Vestibular:
- Transforma forças provocadas pela aceleração da cabeça e da gravidade em
um sinal biológico.
- Informa os centros nervosos sobre a velocidade da cabeça e seu posicionamento.
- Inicia os reflexos necessários para a estabilização do olhar, da cabeça e do
corpo.
São essas funções que interferem diretamente no equilíbrio, pois as informações conduzidas ao SNC voltam de forma eferente e respondem com o tônus muscular aumentado ou diminuído, de acordo a necessidade para que o corpo se mantenha em equilíbrio.
Logo, transferindo estas informações para o movimento do giro, podemos amenizar as sensações estabilizando a posição da cabeça. Quem nunca ouviu a expressão “bate cabeça”??
Pois é, essa técnica é uma forma de prevenir os sintomas de alterações no sistema vestibular, pois quando giramos numa velocidade média, ou mesmo lenta, e não utilizamos desta técnica, mantemos nossa cabeça e nossos olhos constantemente em movimento excitando os receptores do sistema vestibular. Quando fixamos nosso olhar num ponto e fazemos o giro, e só permitimos o giro da cabeça quando chegamos ao extremo do movimento, mantemos nossa cabeça parada o maior tempo possível e há um menor estímulo nesses receptores. Logo, diminuímos os sintomas.

Direcionamento do giro – Não precisamos girar como loucas como a Cláudia Raia em “Rainha da Sucata”. Podemos controlar a direção do nosso giro. Acabamos de citar que a orientação da cabeça está diretamente relacionada à orientação espacial do corpo. Ou seja, se mantivermos nossa cabeça “fixada”, não perdemos a direção do nosso giro, sendo ele em deslocamento (olhamos para na direção que estamos indo) ou parado no lugar (cabeça e olhos fixados num ponto.)

Desequilíbrio – além do que já falamos sobre o sistema vestibular podemos contar com a ajuda do nosso sistema musculoesquelético que trabalha de forma voluntária. E abordaremos a seguir.


Postura -  Para melhorar nosso equilíbrio de forma consciente, podemos contar com a nossa musculatura. Existem músculos chaves para nos mantermos de forma ereta.
Com a contração isométrica (contração constante sem movimentação articular) podemos amenizar a ação da gravidade e manter nosso equilíbrio, mesmo num momento de desaceleração (estado de aterrissagem do giro).
Além da musculatura antigravitacional (cadeia posterior) podemos contar com outros grupos musculares para nos mantermos equilibrados. FRANKLIN (2004) relata a relação entre diafragma e assoalho pélvico. A contração isométrica das duas musculaturas a pressão exercida na parede abdominal ameniza a ação da gravidade, e diminui a sobrecarga nos membros inferiores, e melhora o equilíbrio. Então a contração de todas essas musculaturas colabora para um giro limpo, no eixo sem desequilíbrios. Faça um teste, contraia o abdômen, e o assoalho pélvico; fique na meia ponta; relaxe essas musculaturas e veja o que acontece.
Outra musculatura importante é o rombóide, ele tem importante participação na estabilização da escápula melhorando o posicionamento da cintura escapular. Um bom posicionamento da escápula é pensar nela retraída (deslocada para baixo). 
Não podemos esquecer que o transverso do abdômen é o principal estabilizador da coluna. Estudos de eletroneuromiografia mostram que este músculo se contrai antes de acontecer o movimento.
Exercícios de estabilização central colaboram muito para despertar e fortalecer essa musculatura.



Uma observação importante: NUNCA girar com joelhos relaxados. Desequilibra, esteticamente não funciona, e ainda pode levar a lesões.

Braços – os braços não devem ser soltos. Isso é fato. Cada dança tem seu formato e suas exigências em relação ao braço. Mesmo assim, foi citado no post anterior quando falamos de tônus durante a dança. Não podemos ter braços hipotônicos, eles desestabilizam toda a cintura escapular.

Agilidade – Se conseguirmos juntar todos esses fatores conseguiremos girar na velocidade que desejarmos!!!!


Giros na meia ponta – primeiro treine a técnica de subir na meia ponta ou na ponta. A técnica errada deste movimento pode custar seu giro e até seu tornozelo!!!!!!! Falarei sobre isso mais tarde.



Resumindo, como é que eu giro mesmo???

“bater cabeça”
Contração do diafragma, abdômen, assoalho pélvico e rombóides. 
(Isso significa o fechamento das costelas e a cintura escapular direcionada para cima e NUNCA para frente)
Braços com tônus

NÃO EXISTE GIRAR SEM PREPARAÇÃO... PARA GIRAR, É PRECISO DE PREPARAÇÃO!!!! 

BOM GIRO!!!!!


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011