quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Giro, chainé, giro, pirueta..... tour en l'air


Giro... Como se descrever um giro??

Troca de peso entre uma perna e outra mudando a direções??? Um pequeno tour em volta do eixo???

E ai??? 

Técnicas para melhorar o giro, bater cabeça, pensar no braço, encaixa o quadril....................................



Vamos por partes, como sempre!!!

Vamos pensar que viramos nosso corpo em volta do nosso próprio eixo. Eixo este que desenha uma linha vertical em nosso corpo.

Eixo, uma palavra que tanto usamos e pouco sabemos...
Antes de falar do giro vamos entender os planos e os eixos.


Plano Sagital: corte ântero – posterior. Eixo Sagital: divisão em lado direito e esquerdo

Plano Horizontal, transverso ou axial: corte superior e inferior, Eixo transversal: divisão caudal e cranial.

Plano Frontal ou coronal: corte latero-lateral. Eixo frontal: divisão em anterior e posterior.

Revisados os planos e eixos, pensaremos num encontro entre os eixos sagital e frontal. Pensando nessa linha vertical, bem no centro do corpo. Esta linha remete a nossa referência para o giro. 

Tendo uma referência, tudo fica mais simples... Então para girar podemos fazer uma transferência de peso de uma perna para outra num sentido rotacional, ou então com um impulso giramos em cima de uma única perna, porém de qualquer forma acontece a transferência de peso, pois o impulso vem da perna que não estará realizando o giro.

Pensando assim tudo fica simples, porém para realizar o giro existe uma lista de complicações que tentaremos amenizar melhorando a técnica pensando na biomecânica do movimento.

Tontura
Direcionamento do giro
Desequilíbrio
Postura
Braços
Agilidade

Tontura – Quando pensamos em giro, logo vem àquela sensação de tontura, vertigem, às vezes até náuseas. Se pensarmos que tudo isso acontece devido a uma desorganização do sistema vestibular, pensamos que podemos resolver o problema de forma mais efetiva agindo na causa!!
Conhecendo um pouco do sistema vestibular:
O aparelho vestibular localiza-se no ouvido interno, composto por um sistema de tubos e câmaras ósseas chamado de vestíbulo membranoso. É composto pela cóclea, três canais semicirculares e duas câmaras conhecidas como sáculo e utrículo.

Os receptores contidos no sistema vestibular são muito sensíveis e detectam qualquer alteração da posição da cabeça ou da direção do movimento. A movimentação da cabeça excita-os, e a partir disso, são enviados impulsos nervosos ao SNC. Portanto, o aparelho vestibular é controlado pelos movimentos da cabeça e dos olhos (principalmente em relação à orientação do espaço) durante a realização de exercícios, mantendo o equilíbrio e permitindo o controle visual durante o movimento.
Quando há uma assimetria ou um distúrbio no aparelho vestibular, seja pela estimulação excessiva ou pela hipoestimulação, leva a vertigem, nistagmo e reflexo vagal.
Funções do labirinto Vestibular:
- Transforma forças provocadas pela aceleração da cabeça e da gravidade em
um sinal biológico.
- Informa os centros nervosos sobre a velocidade da cabeça e seu posicionamento.
- Inicia os reflexos necessários para a estabilização do olhar, da cabeça e do
corpo.
São essas funções que interferem diretamente no equilíbrio, pois as informações conduzidas ao SNC voltam de forma eferente e respondem com o tônus muscular aumentado ou diminuído, de acordo a necessidade para que o corpo se mantenha em equilíbrio.
Logo, transferindo estas informações para o movimento do giro, podemos amenizar as sensações estabilizando a posição da cabeça. Quem nunca ouviu a expressão “bate cabeça”??
Pois é, essa técnica é uma forma de prevenir os sintomas de alterações no sistema vestibular, pois quando giramos numa velocidade média, ou mesmo lenta, e não utilizamos desta técnica, mantemos nossa cabeça e nossos olhos constantemente em movimento excitando os receptores do sistema vestibular. Quando fixamos nosso olhar num ponto e fazemos o giro, e só permitimos o giro da cabeça quando chegamos ao extremo do movimento, mantemos nossa cabeça parada o maior tempo possível e há um menor estímulo nesses receptores. Logo, diminuímos os sintomas.

Direcionamento do giro – Não precisamos girar como loucas como a Cláudia Raia em “Rainha da Sucata”. Podemos controlar a direção do nosso giro. Acabamos de citar que a orientação da cabeça está diretamente relacionada à orientação espacial do corpo. Ou seja, se mantivermos nossa cabeça “fixada”, não perdemos a direção do nosso giro, sendo ele em deslocamento (olhamos para na direção que estamos indo) ou parado no lugar (cabeça e olhos fixados num ponto.)

Desequilíbrio – além do que já falamos sobre o sistema vestibular podemos contar com a ajuda do nosso sistema musculoesquelético que trabalha de forma voluntária. E abordaremos a seguir.


Postura -  Para melhorar nosso equilíbrio de forma consciente, podemos contar com a nossa musculatura. Existem músculos chaves para nos mantermos de forma ereta.
Com a contração isométrica (contração constante sem movimentação articular) podemos amenizar a ação da gravidade e manter nosso equilíbrio, mesmo num momento de desaceleração (estado de aterrissagem do giro).
Além da musculatura antigravitacional (cadeia posterior) podemos contar com outros grupos musculares para nos mantermos equilibrados. FRANKLIN (2004) relata a relação entre diafragma e assoalho pélvico. A contração isométrica das duas musculaturas a pressão exercida na parede abdominal ameniza a ação da gravidade, e diminui a sobrecarga nos membros inferiores, e melhora o equilíbrio. Então a contração de todas essas musculaturas colabora para um giro limpo, no eixo sem desequilíbrios. Faça um teste, contraia o abdômen, e o assoalho pélvico; fique na meia ponta; relaxe essas musculaturas e veja o que acontece.
Outra musculatura importante é o rombóide, ele tem importante participação na estabilização da escápula melhorando o posicionamento da cintura escapular. Um bom posicionamento da escápula é pensar nela retraída (deslocada para baixo). 
Não podemos esquecer que o transverso do abdômen é o principal estabilizador da coluna. Estudos de eletroneuromiografia mostram que este músculo se contrai antes de acontecer o movimento.
Exercícios de estabilização central colaboram muito para despertar e fortalecer essa musculatura.



Uma observação importante: NUNCA girar com joelhos relaxados. Desequilibra, esteticamente não funciona, e ainda pode levar a lesões.

Braços – os braços não devem ser soltos. Isso é fato. Cada dança tem seu formato e suas exigências em relação ao braço. Mesmo assim, foi citado no post anterior quando falamos de tônus durante a dança. Não podemos ter braços hipotônicos, eles desestabilizam toda a cintura escapular.

Agilidade – Se conseguirmos juntar todos esses fatores conseguiremos girar na velocidade que desejarmos!!!!


Giros na meia ponta – primeiro treine a técnica de subir na meia ponta ou na ponta. A técnica errada deste movimento pode custar seu giro e até seu tornozelo!!!!!!! Falarei sobre isso mais tarde.



Resumindo, como é que eu giro mesmo???

“bater cabeça”
Contração do diafragma, abdômen, assoalho pélvico e rombóides. 
(Isso significa o fechamento das costelas e a cintura escapular direcionada para cima e NUNCA para frente)
Braços com tônus

NÃO EXISTE GIRAR SEM PREPARAÇÃO... PARA GIRAR, É PRECISO DE PREPARAÇÃO!!!! 

BOM GIRO!!!!!


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011