terça-feira, 6 de maio de 2014

Por que a grama da vizinha é mais verde?


Que título esdrúxulo pra falar de dança, não?


Mas aposto que em algum momento da sua vida você viu uma bailarina, seja ela quem for, fazer um movimento de forma impecável aos seus olhos e você sentiu uma “invejinha” e por dias, meses e anos você tentou reproduzir aquele movimento exatamente daquele jeito... E se frustrou... Estou certa?

É preciso entender e  aceitar que os nossos corpos são diferentes, repletos de possibilidades e limitações. Nossa história está toda contada ali, na “nossa casa”, cada linha de expressão do nosso rosto, cada cicatriz que altera a funcionalidade do revestimento da nossa pele. Ou seja, está tudo ali impresso, marcado, contado.

Se aceitarmos as nossas particularidades (antropometria, biomecânica, cinemetria, motricidade*) - sejam elas nossa força muscular (deficitária ou exacerbada), alongamentos (também deficitário ou exacerbado), desvios posturais, “marcas” da nossa história expressas em nosso corpo – fica fácil compreender que a busca pelo igual será frustrante.
Vamos pensar no esporte. A busca de um "talento esportivo" é muito presente e levada com grande seriedade. O que significa que o prognóstico de sucesso de um atleta depende de uma grande variedade de características genéticas (morfológica e metabólica), além de considerar os aspectos psicológicos, cognitivos e sociais. Também é incontestável que as conquistas de recordes não são apenas dos atletas com genótipo fenomenal, mas do aperfeiçoamento biomecânico dos movimentos, da metodologia de treinamento, inclusive das altas capacidades de reserva do aparelho locomotor de cada indivíduo.
Para Bompa (2002) um bom desempenho dependerá: 50% da capacidade motora; 10% da capacidade psicológica; 40% dos aspectos morfológicos. Isso significa que para um atleta, por exemplo, participar dos Jogos Olímpicos ele enfrentou diversas avaliações.  
Agora vamos voltar para a dança. Na escola Bolshoi, a audição é feita por meio de uma aula de dança, de acordo com a modalidade escolhida pelo candidato, e uma avaliação física. São observados o nível técnico, equilíbrio, musicalidade, giros, saltos e elasticidade do candidato, além do uso das sapatilhas de ponta para as meninas que disputam vaga na dança clássica.
Os dois exemplos acima reforçam a importância que as características do nosso corpo tem para a execução de movimentos, sejam eles na dança ou no esporte.  Isso não significa que as nossas particularidades físicas e motoras deficitárias devam ser consideradas uma sentença de morte. Por que não trabalhá-las? 
Encontre cada pedacinho dessa história e transforme em movimento, num movimento que será único e só seu. É um processo. Um caminho acompanhado de desafios, mas as descobertas podem ser surpreendentes.
“Ah, quando eu me mexo assim eu sinto dor, não consigo!”. Então, não faça! Isso pode lesionar. Faça outra coisa, elabore outro mexer, mas não pare, continue.



Conheça o seu corpo, habite-o. E faça com que a sua grama seja linda, verde, única e SUA!


AntropometriaCiência que estuda as medidas de peso, tamanho e proporções do corpo humano. Segundo o protocolo da ISAK (International Society of the Advancement of Kinanthropometry): envergadura, estatura, alturas, perímetros, dobras cutâneas, diâmetros e longitudes.
Biomecânica - O estudo da estrutura e da função dos sistemas biológicos utilizando métodos da mecânica. Neste caso a mecânica de cada corpo.
Cinemetria -  metodologia biomecânica que se destina à obtenção de variáveis cinemáticas para a descrição de posições ou movimentos no espaço.
Dinamometria - Metodologia biomecânica para obtenção de variáveis de força e distribuição de pressão, e a interação das forças do corpo e o meio.

Bibliografia:
HAAS et al. Estudo antropométrico comparativo entre meninas espanholas e brasileiras praticantes de dança. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano.Vol. 2,  Número 1 – p. 50-57, 2000.

 HORTA, L. Prevenção de Lesões no Desporto. Editora Leya. Rio de Janeiro, RJ. 2011.


 LANARO FILHO, P. , BÖHME, M. T. S. DETECÇÃO, SELEÇÃO E PROMOÇÃO DE TALENTOS ESPORTIVOS 
EM GINÁSTICA RÍTMICA DESPORTIVA: UM ESTUDO DE REVISÃO . Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo, 15(2): 154-68, jul./dez. 2001 
BOMPA, Tudor O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. 4. ed. São Paulo: Phorte, 2002.
http://www.escolabolshoi.com.br/bolshoi/Portugues/detInstitucional.php?cod=16, visitado em 06.05.14

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mercado Persa 2014

O medo de todo bailarino é parar de dançar incapacitado por uma lesão, mas esse medo pode ser facilmente encarado se alguns cuidados forem tomados. Por isso propomos uma palestra sobre as principais lesões na Dança do Ventre e qual a melhor maneira de evitar essas lesões. Comandada por Flora Pitta, a palestra conta também com a participação de uma assistente que demonstrará a maneira adequada e inadequada de algumas movimentações. 
Não perca!
Sábado, 12 de abril de 2014 as 18h30.
Maiores Informações: Mercado Persa

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Perigos da Técnica "CORRETA"

A polêmica da técnica correta


Tá rolando o maior bafafá na net por causa de um vídeo de uma adolescente, que iniciou recentemente seus estudos de dança, no qual ela ensina passos de Dança do Ventre. A segurança e autoestima dessa menina é inquestionável, mas não consigo entender o porquê de tanta revolta!
Mas por que será que este vídeo mexeu tanto com as pessoas? Eu pensei em milhões de respostas até que percebi o quanto este vídeo pode ser perigoso para olhos despreparados.

Qual o real perigo de execução errada de um movimento?
Esta pergunta é dificílima para ser respondida, pois inúmeros fatores estão envolvidos. Mas vamos simplificar e pensar em lesões que são causadas por movimentos feitos de forma não muito correta (em relação ao funcionamento da articulação envolvida no movimento)

Vamos pensar nas articulações de forma mega, máster, blaster simples????



Quadril - COXO FEMURAL- Encaixe da coxa (fêmur) no quadril (pelve - acetábulo)








A parte do fêmur que se encaixa no acetábulo é uma bolinha, que se encaixa num buraco convexo. E com este encaixe, podemos fazer movimentos tridimensionais, ou seja, podemos dobrar, abrir, fechar, rodar e misturar todos os movimentos juntos.



Dobrar - colocar toda a perna pra frente e para trás.



Abrir e Fechar- colocar a perna para os lados.


Rodar - o simples en dehors ou qualquer angulação a partir do centro de referência do corpo.


Todos os movimentos juntos/ Circundação - Round de Jambe 




Joelho - Encaixe da parte debaixo do Fêmur com a perna (Tíbia) e a Patela (rodinha do meio)


Dobra e Estica - rodar joelho pra dentro, rodar joelho pra fora pode MACHUCAR!!!!

Algumas pessoas possuem os joelhos naturalmente desalinhados. Essas pessoas estão mais susceptíveis para sofrer lesões, porém isso não significa que essas pessoas certamente se machucarão!



Tornozelo - Encaixe da Fíbula (osso mais fino da perna), Tálus (osso de encaixe do pé) e Fíbula.

Dobra e Estica - ponta do pé e pé de palhaço (Flex)


Abre e Fecha - dizer tchau com os pés



Dentro e fora - pisar com a parte de fora do pé e pisar com a parte de dentro.


Dentro e fora - pisar com a parte de fora do pé e pisar com a parte de dentro.

Pronação e Supinação - é um monte de movimento misturado!

A supinação é a combinação de adução(dentro- tchau), inversão (pisar com a parte de dentro) e flexão (ponta do pé).
A pronação é a combinação entre a abdução (fora- tchau) , eversão (pisar com a parte de fora) e extensão do pé (pé de palhaço).

Além de tudo isso, cada movimento tem uma angulação máxima. O que significa que nossas articulações têm limites e esses limites são impostos pelo nosso próprio corpo. Muitas vezes não conseguimos aumentar o movimento, pois os ossos se esbarram ou porque existe uma musculatura que impede. A perna é um exemplo. Não conseguimos dobrar mais os joelhos porque a musculatura da panturrilha esbarra na musculatura posterior da coxa.
Porém quando o impedimento é ósseo, a preocupação deve ser maior, pois o impacto entre esses ossos gera lesões irreversíveis.



Portanto, a questão vai muito além de determinar se a técnica X ou Y está correta. É fundamental pensar como o nosso corpo recebe a técnica, somente assim vamos garantir que teremos um corpo adequadamente preparado para continuar dançando. Dançando pela eternidade!!!!

Referência Bibliografica:
- KAPANJI, A. I Fisiologia Articular. Vol.2. Editora Manole.São Paulo, SP. 1990
- KENDALL, F.P.; McCREARY, E. K., PROVANCE, P. G. Músculos: Provas e Funções.4ªed Ed. Manole. São Paulo, SP. 1995
- HALL, Susan. Biomecânica Básica. Ed.Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, RJ. 1993
- COHEN, M.; ABDALLA, R. Lesões no Esporte: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento.Ed. Revinter. Rio de Janeiro, RJ. 2005